Aprendizados na implantação do AWS Direct Connect + Transit Gateway

A adoção de ambientes híbridos deixou de ser exceção e passou a ser parte da estratégia de muitas empresas. Integrar datacenters on-premises com a nuvem exige muito mais do que apenas criar recursos na cloud: exige entendimento profundo de redes, roteamento e conectividade.

Recentemente, trabalhando em um cenário utilizando AWS Direct Connect integrado ao AWS Transit Gateway, ficou ainda mais evidente como o conhecimento de redes faz diferença na estabilidade e no funcionamento correto da arquitetura.

O projeto parecia simples no início: permitir comunicação entre ambientes on-premises e múltiplas VPCs na AWS através de uma conexão privada. Porém, conforme a topologia evolui, pequenos detalhes de rede começam a impactar diretamente o funcionamento do ambiente.

Alguns pontos que se mostraram críticos durante a configuração:

  • Planejamento correto dos blocos CIDR para evitar overlap de redes.
  • Entendimento do fluxo de roteamento entre:
    • Route Tables das subnets
    • Route Tables do Transit Gateway
    • Propagations e Associations do TGW
  • Rotas do ambiente on-premises
  • Controle do tráfego assimétrico, principalmente quando existe firewall entre os ambientes.
  • Entendimento de como o Direct Connect encaminha o tráfego através do Virtual Interface (VIF) e BGP.

Um ponto interessante é que, em muitos casos, o problema não está na AWS em si, mas sim em conceitos tradicionais de rede:

  • rota de retorno / assimetria de tráfego
  • propagação de anúncios BGP
  • firewall stateful
  • NAT
  • MTU

Durante os testes, por exemplo, foi possível validar cenários onde:

a EC2 conseguia alcançar interfaces do Transit Gateway, o Direct Connect estava operacional, mas o tráfego não retornava corretamente do ambiente on-premises por falta de rota de retorno.

Esse tipo de situação reforça algo importante: cloud não elimina a necessidade de conhecimento de infraestrutura e redes. Na prática, ela exige ainda mais entendimento desses conceitos.

O AWS Transit Gateway facilita muito a construção de arquiteturas centralizadas, principalmente em cenários multi-VPC e híbridos, mas ele também adiciona uma nova camada de roteamento que precisa ser compreendida em detalhes.

Alguns aprendizados importantes desse projeto:

  • Sempre validar o fluxo completo de ida e volta do tráfego.
  • Mapear claramente todas as tabelas de rota envolvidas.
  • Documentar propagations e associations do TGW.
  • Utilizar ferramentas como:
  • traceroute,
  • Reachability Analyzer,
  • VPC Flow Logs,
  • tcpdump,
  • testes de conectividade ponta a ponta.

Pensar na topologia antes da implementação para evitar complexidade desnecessária.

No final, projetos híbridos mostram como conhecimentos clássicos de redes continuam extremamente relevantes mesmo em ambientes modernos de cloud computing.

AWS, Direct Connect e Transit Gateway são ferramentas poderosas, mas a base continua sendo networking.